A iconografia de Nossa Senhora das Dores destaca a representação da Virgem Maria com sete espadas perfurando o seu coração, simbolizando as sete dores que marcaram a sua vida. Essas dores incluem a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda do Menino Jesus no Templo, o encontro com Jesus na Via Sacra, a crucificação, a descida da cruz e, finalmente, o sepultamento. Esta devoção ganhou popularidade na Idade Média, tornando-se um tema frequente na arte religiosa. Os artistas representaram a Mater Dolorosa em pinturas, esculturas e vitrais, procurando capturar a expressão comovente da dor materna de Maria. Estas obras de arte serviram para suscitar a compaixão dos fiéis, convidando-os a meditar sobre o sofrimento de Maria e, por extensão, sobre o sofrimento de Cristo.
A devoção a Nossa Senhora das Dores também encontrou o seu lugar na liturgia e na espiritualidade. Orações específicas, como o Stabat Mater, foram compostas para expressar a dor de Maria diante da cruz. Os fiéis recorrem a Nossa Senhora das Dores nos seus próprios momentos de sofrimento, buscando a sua intercessão e compreensão compassiva.Ao longo dos séculos, a devoção a Nossa Senhora das Dores continuou a evoluir, enriquecendo-se com novas expressões de fé. As aparições marianas, nomeadamente em Lourdes e Fátima, incluíram frequentemente elementos de dor partilhada entre a Virgem Maria e a humanidade. Os sucessivos papas também salientaram a importância desta devoção, convidando os fiéis a recorrerem a Maria nos seus momentos de dor e dificuldade.Ao celebrar Nossa Senhora das Dores, os cristãos reconhecem a profundidade do amor maternal de Maria e a sua íntima participação no mistério da salvação. Através desta devoção, os fiéis são convidados a contemplar a cruz com o coração de Maria, a encontrar consolo e esperança na compaixão partilhada da Mãe das Dores.