O incenso acompanha a oração cristã desde os primeiros séculos da Igreja. O seu perfume, que se eleva para o céu, simboliza a oração dos fiéis que sobe até Deus, enquanto o seu fumo recorda a presença divina e a santidade do lugar consagrado.
Seja na igreja durante a missa ou em casa durante um momento de oração, o uso de um incensário continua a ser hoje uma bela forma de viver a fé. Mas como utilizar corretamente um incensário? Que incenso escolher? Como acendê-lo com toda a segurança? Eis um guia completo para descobrir ou redescobrir esta tradição cristã.
O que é um incensário?
O incensário é um recipiente metálico destinado a queimar incenso sobre carvões em brasa.
Na tradição católica, é frequentemente suspenso por correntes que permitem balançá-lo durante as cerimónias litúrgicas.
Distinguem-se geralmente:
O incensário propriamente dito.
A naveta, que contém os grãos de incenso.
A colher de incenso, que serve para depositar o incenso sobre as brasas.
As brasas especialmente concebidas para o incenso.
Os incensários podem ser simples ou ricamente decorados, dependendo do seu uso doméstico ou litúrgico.
Por que se usa o incenso na religião cristã?
O uso do incenso remonta ao Antigo Testamento.
No Templo de Jerusalém, os sacerdotes ofereciam diariamente incenso perante Deus.
O Salmo 140 expressa magnificamente este símbolo:
«Que a minha oração perante ti se eleve como incenso. »
No Novo Testamento, os Reis Magos oferecem ao Menino Jesus três presentes:
Ouro para a Sua realeza.
Incenso para a Sua divindade.
Mirra, anunciando a Sua Paixão.
Ainda hoje, o incenso é utilizado em grandes celebrações litúrgicas, bênçãos, procissões, funerais e adoração eucarística.
O material necessário
Para utilizar um incensário tradicional, necessita de:
Um incensário.
Carvões para incenso.
Uma pinça para carvão.
Grãos de incenso.
Um suporte resistente ao calor.
Recomenda-se escolher um incenso de qualidade, composto por resinas naturais, tais como:
Olíbano (incenso tradicional das igrejas).
Mirra.
Benjoim.
Cópal.
Misturas litúrgicas perfumadas.
Como acender o carvão?
Acender o carvão constitui a etapa mais importante.
Coloque o carvão no incensário ou sobre uma superfície resistente ao calor.
Com um isqueiro ou um fósforo, acenda a borda do carvão.
Os carvões auto-inflamáveis geralmente crepitam durante alguns segundos.
Aguarde até que toda a superfície fique cinzenta ou esbranquiçada.
Esta etapa pode demorar entre cinco e dez minutos, dependendo do tipo de carvão utilizado.
Nunca coloque o incenso antes de o carvão estar suficientemente quente.
Colocar o incenso
Quando o carvão estiver pronto, adicione alguns grãos de incenso.
Basta uma pequena quantidade.
Assim que entra em contacto com a brasa, o incenso começa a derreter e a libertar o seu fumo perfumado.
Pode ajustar a intensidade do perfume adicionando mais ou menos incenso.
É preferível adicionar regularmente pequenas quantidades em vez de uma grande quantidade de uma só vez.
Utilizar o incensário durante a oração
Em casa, o incenso pode acompanhar:
A leitura da Bíblia.
O terço.
A adoração.
Uma novena.
Uma oração em família.
Uma bênção do lar.
Algumas famílias gostam de fazer circular o incensário pelas diferentes divisões da casa enquanto recitam orações, a fim de confiar o seu lar à proteção de Deus.
Esta prática deve ser sempre vivida como um ato de fé e de oração.
O incenso na liturgia
Durante a missa, o sacerdote utiliza o incenso para honrar o que é consagrado a Deus.
Podem ser incensados:
O altar.
O Evangeliário.
A Cruz.
As oferendas.
O Santíssimo Sacramento.
Os fiéis.
O corpo do falecido durante os funerais.
A incensação expressa respeito, honra e veneração.
Os diferentes gestos de incensação
Na liturgia, os movimentos do incensário têm um significado preciso.
Dependendo das circunstâncias, o sacerdote realiza:
Um simples balanço.
Dois balanços.
Três balanços.
Estes gestos manifestam a honra prestada às pessoas ou aos objetos sagrados.
Conselhos de segurança
Embora a utilização de um incensário seja simples, algumas precauções são indispensáveis.
Nunca deixar um carvão aceso sem vigilância.
Manter fora do alcance das crianças.
Utilize uma superfície resistente ao calor.
Evite correntes de ar.
Aguarde o arrefecimento completo antes de esvaziar as cinzas.
Assegure uma boa ventilação da divisão.
Estas precauções permitem desfrutar do incenso com toda a segurança.
Que incenso escolher?
O incenso de olíbano continua a ser o mais utilizado nas igrejas.
O seu aroma resinoso e ligeiramente cítrico é imediatamente associado à oração cristã.
A mirra confere uma nota mais profunda e meditativa.
O benjoim exala um aroma suave e acolhedor.
Muitas misturas monásticas ou litúrgicas combinam várias resinas para criar um perfume particularmente adequado à oração.
O incenso na vida espiritual
O incenso não substitui a oração.
É simplesmente o seu símbolo visível.
O seu fumo lembra-nos que os nossos pedidos, louvores e ações de graças ascendem a Deus.
O seu perfume convida ao recolhimento e ajuda a criar uma atmosfera propícia à meditação.
Há séculos que os cristãos utilizam o incenso para assinalar os momentos importantes da sua vida espiritual e para recordar a presença de Deus no meio do Seu povo.
Utilizar um incensário é uma tradição antiga que permanece profundamente atual. Seja durante uma celebração litúrgica ou no silêncio de uma oração em casa, o incenso ajuda-nos a entrar numa atitude de recolhimento e adoração.
Fácil de usar com algumas precauções, o incensário permite redescobrir um gesto milenar que liga os cristãos de hoje a toda a história da Igreja.
A cada espiral perfumada que se eleva para o céu, podemos fazer nossa esta oração do salmista:
«Que a minha oração se eleve perante ti como o incenso, e as minhas mãos como a oferta da tarde. » (Salmo 140, 2)